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SÔNIA MENNA BARRETO

Trabalhos | Filmes | Histórico

BIOGRAFIA

artista            

Sônia Menna Barreto nasceu em São Paulo. Em 1980, começou a freqüentar o ateliê do artista Luiz Portinari, irmão de Cândido Portinari, no Centro de Artes Cândido Portinari. Durante este período, conheceu a vida artística, os movimentos, ouviu muitas histórias contadas por Portinari que conviveu com grandes pintores, escritores e poetas da época. Depois do contato com os trabalhos de Max Ernst, De Chirico, Magritte e Paul Delvaux, a obra de Sônia tomou a direção do Surrealismo.

A técnica de Sônia origina-se nos pintores flamengos do século XV, misturando hiper-realismo com minúcias da técnica francesa do Trompe L’oeil. Ela acredita que esteja mais próxima do realismo fantástico.

Sônia Menna Barreto lançou seu livro “Pintora de Fantasias” pela Editora Decor em 2007, com texto crítico por José Roberto Teixeira Leite em exposição individual no MuBE.

Suas obras estão presentes em coleções particulares do Brasil e do exterior. Em outubro de 2002, Sônia Menna Barreto participou da cerimônia de entrega de um quadro original de sua autoria no Palácio de Buckingham, tornando-se a primeira artista brasileira com uma obra que passou a integrar a ROYAL COLLECTION, pertencente à Família Real Britânica, uma das mais importantes coleções de arte do mundo.

royal collection


HISTÓRICO

1980 - Associação Brasileira de Desenho e Artes Visuais do Rio de Janeiro. (Rio de Janeiro, Brasil)

1981 - IV Salão de Artes Plásticas de Itu, Mérito Artístico (Itu, Brasil)

1982 - I Salão de Artes Plásticas Brigadeiro Eduardo Gomes, Medalha de Prata (São Paulo, Brasil)

1983 - II Salão de Artes Plásticas de Itu, Medalha de Ouro (São Paulo, Brasil)
• X Salão de Arte Jovem "Primeira Mão ". Prêmio Aquisição. (Santos, Brasil)
• II Salão de Artes Plásticas de Araraquara. Prêmio Aquisição. (Araraquara, Brasil)
• XII Salão Ararense de Artes Plásticas. Honra ao Mérito (Araras, Brasil)

1984 - I Salão Livre de Artes Plásticas, Workshop do Carmo (São Paulo, Brasil)
• XXXIV Salão Oficial Municipal de Belas Artes de Juiz de Fora. Medalha de Prata(Juiz de Fora, Brasil)
• III Salão de Artes Plásticas de Araraquara. Medalha de Ouro (Araraquara, Brasil)
• Salão do Centro de Arte Contemporânea. Medalha de Ouro (Paris, França)
• II Salão de Arte Contemporânea de São José do Rio Preto. Medalha de Ouro (São José do Rio Preto, Brasil)
• Salão Livre de artes Plásticas. Medalha de Prata (São Paulo, Brasil)
• VII Salão de Artes Plásticas de Itu. Medalha de Bronze (Itu, Brasil)

1989 - Exposição individual na Galeria de Arte André (São Paulo, Brasil)

1990 - 12th Annual Artexpo, Jacob Javits Convention Center (New York, EUA)

1992 - Chapel Art Show, Primeiro Prêmio de Pintura (São Paulo, Brasil)

1993 - Chapel Art Show, Primeiro Prêmio de Pintura (São Paulo, Brasil)

1994 - Chapel Art Show, Primeiro Prêmio de Pintura (São Paulo, Brasil)

1995 - Exposição individual na Galeria de Arte André (São Paulo, Brasil)
• Exposição individual itinerante de serigrafias em 12 cidades (Brasil)

1996 - Representação da artista pela Ambassador Galleries, localizada no Soho, Nova York (EUA)

1997 - Chapel Art show, Primeiro Prêmio de Pintura (São Paulo, Brasil)
• 19th Annual Artexpo, (New York, EUA)
• Artexpo - Los Angeles Convention Center (Los Angeles, EUA)
• Representação e distribuição de serigrafias da artista pela Discovery Galleries

1998 - 20th Annual Artexpo (New York, EUA)
• Chapel Art show, Primeiro Prêmio de Pintura (São Paulo, Brasil)
• Exposição individual na Casa das Artes ( São Paulo, Brasil )

1999 - 21th Annual Artexpo (New York, EUA)
• Chapel Art show, Primeiro Prêmio de Pintura (São Paulo, Brasil)

2000 - 22th Annual Artexpo (New York, EUA)
• 2000 Yellow Springs Art Show ( Chester Springs, PA, EUA )
• Expo Antiquaria ( Buenos Aires, Argentina )
• Exhibition : JM Gallery ( New York, EUA )

2001 - 23th Annual Artexpo (New York, EUA)
• 2001 Yellow Springs Art Show ( Chester Springs, PA, EUA )
• Exhibition: JM Gallery ( New York, EUA )
• Festival Internacional “Bravissimo” - Brasilart (Cidade da Guatemala, Guatemala)
• XXXII Exposição de Arte Contemporânea Brasileira – Chapel Art Show (São Paulo, Brasil)

2002 - Exposição individual na Galeria de Arte Mali Villas Boas ( São Paulo, Brasil )
• Entrega ( no Palácio de Buckingham ) do original “Leonard Cheshire” que passou a integrar a Royal Collection pertencente à Família Real Britânica. ( Londres, Inglaterra )

2003 - Exposição individual de gravuras no Espaço Arte M. Mizrahi. ( São Paulo, Brasil )
• Exposição individual de gravuras na Opus Galeria de Arte ( Salvador, Brasil )

2005 - Exposição “Efeitos Lusos Contemporâneos Brasileiros” ( Torres Vedras, Portugal )

2006 - Exposição individual de gravuras na Galeria Um Lugar ao Sol ( Curitiba, Brasil )

2007 - Exposição de originais “Sônia Menna Barreto – Pintora de Fantasias” no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE) (São Paulo, Brasil)
• Exposição de serigrafias na Casa das Artes Galeria (São Paulo, Brasil)
• Exposição de gravuras na Art Galeria Mara Dolzan ( Campo Grande, MS, Brasil )

2008 - Exposição de gravuras Fundação Oviêdo Teixeira ( Aracajú, Brasil )


OBRA E TÉCNICA

Sônia Menna Barreto produz sobre diferentes suportes e com distintas técnicas. Tinta óleo sobre linho e a técnica mista (gravura digital sobre tela 100% algodão com interferência manual à óleo).

Em ambos os casos, prepara suas próprias telas e tintas.

No primeiro suporte, usa o linho colado numa superfície rígida. Esta técnica foi introduzida na Europa no século XIV por pintores flamengos. O processo requer diversos estágios começando com a preparação da tela: o linho (ou cambraia de linho) é colado ao suporte rígido e a seguir várias camadas de gesso são aplicadas. Na seqüência, a superfície é delicadamente lixada até que a tela adquira uma textura parecida com a do mármore. Sobre essa superfície é que a obra é executada.

No segundo suporte, utiliza uma reprodução digital da obra original em linho, como imagem de fundo, da qual porções significativas da pintura original foram suprimidas digitalmente, realizando a seguir intervenções com pincel e à óleo, fazendo assim uma releitura da mesma, dando à cada Técnica Mista uma característica única, isto é, um novo e exclusivo original em tela.

As tintas a óleo são também especialmente preparadas com aglutinante feito pela própria artista. No processo de elaboração das obras também é usada uma veladura que confere um efeito translúcido especial, obtendo tonalidades diferentes.

TEXTOS CRÍTICOS

“Sônia Menna Barreto: Um projeto construtivo.

Perante um quadro de Sônia Menna Barreto, a primeira sensação pode ser de espanto. Dois aspectos geralmente se destacam: a profusão de imagens e a técnica muito apurada. O desejo é de mergulhar na tela para, pouco a pouco, desvendar os seus múltiplos segredos.

Progressivamente, ao observar um conjunto dos trabalhos da artista, alguns assuntos vão ganhando destaque. A presença de figuras da commedia dell’arte, por exemplo, introduz um fator bem-humorado, mostrando que o fato de dominar o metiê pictórico não significa se afastar do caráter lúdico.

Pelo contrário, o virtuosismo aponta para o estabelecimento de um todo de cores vivas, que permite instaurar um universo próprio. Um objeto que concentra as atenções nesse cosmos é o livro. Ele surge, de maneira mais ou menos manifesta, de acordo com o caso, introduzindo o observador num mundo de fantasia.

De fato, o que a artista cria é justamente uma para-realidade próxima ao realismo fantástico, no sentido de que o conhecimento dela implica estar em um pensamento paralelo, com uma lógica toda peculiar, marcada pela ilusão na composição dos mais variados ambientes plásticos.

A existência de termos recorrentes, como as cartas de baralho, que interagem com diversos personagens, acentuam a importância do lúdico como forma de expressar um pensamento estético em que as tradicionais rígidas fronteiras entre a realidade a ficção perdem totalmente o sentido.

Objetos ou pessoas que saem dos livros ou elementos pintados que parecem deixar os quadros para penetrar no mundo real são marcas de uma realidade pictórica que o tempo todo questiona o limite entre o real e o imaginário e entre a vida e o pintado. Assim, Sônia se fortalece como uma talentosa criadora de composições visuais.

Muito mais interessante do que discutir o que pinta é se debruçar na maneira como constrói suas camadas de sobreposições e veladuras para atingir um trabalho de técnica refinada extremamente bem acabado, tanto na exploração do espaço como na forma de equilibrar as cores.

Cada nova pintura não é apenas mais um quadro. Constitui um bem realizado exemplo de como pintar significa, para a artista, estabelecer um microcosmos pleno de sentido interno, capaz de prescindir de textos explicativos tal o seu vigor enquanto projeto construtivo coerente, delicado e com um lirismo, ao mesmo tempo, pessoal, pelas combinações estéticas atingidas, e universal, em seu impacto visual.”

Oscar D’Ambrosio


“A pintura desta jovem pintora é uma gota de absurdo no real clássico e acadêmico de seu jeito de ver o mundo. Em técnica apurada, ela retrocede no tempo e no espaço, e só chega aos nossos dias para acrescentar surrealismo às suas cenas. Ela dá seu recado sozinha e merece atenção, sobretudo daqueles que amam o virtuosismo do bem feito. Do bem sonhado.”

Olney Krüse


“Sônia Menna Barreto. Deve-se a Vasari o relato de que Giotto, quando jovem, teria pintado, por brincadeira, uma mosca no nariz de uma figura que seu mestre Cimabue estava elaborando. Quando este voltou para continuar o trabalho, "tentou várias vezes espantá-la com a mão, pensando que ela fosse real". O fato deixa clara a precocidade do grande pintor florentino e as possibilidades do ilusionismo pictórico.

Mutatis mutandis, Sônia Menna Barreto faz algo parecido em sua obra. Tendo desenvolvido in extremis a técnica de pintar, ela a utiliza a serviço de um jogo de trompe l'oeil, que engana nossa vista na medida em que cria um espaço irreal, impossível, com aparência de verdadeiro. Seus elementos de composição freqüentemente não são imagens extraídas da natureza, mas do universo da cultura humana tais como livros, móveis, personagens da Commedia dell'Arte, envelopes, lacres, cartas de baralho, obras de arte e seus elementos constitutivos ou afins (telas, chassis, pregos, vidros quebrados, tinteiros, papéis de embrulho, cantoneiras, fitas adesivas, barbantes). Figuras incluídas numa ilustração de um livro, por exemplo, extrapolam os limites dela, continuando num outro plano. Sônia cria assim uma ilusão visual ao tempo em que discute os limites da realidade e da arte. Sua assinatura é utilizada como elemento gráfico do trabalho, colocada que é na capa ou na lombada de um livro, num selo, num carimbo, numa etiqueta, ou constituída pelas voltas de um arame ou corda. Há em seus trabalhos um nítido caráter de jogo, de erro e acerto, sendo que alguns incluem formas de puzzle, de encaixes.

Um certo toque surreal e onírico permeia a obra de Sônia Menna Barreto, consubstanciada na subversão do real e de suas relações espaciais, temporais e lógicas. Refletindo sobre a linguagem artística e tendo como referência recorrente a própria obra de arte, sua pintura torna-se metalingüística e, a despeito de jogar freqüentemente com imagens do passado, assume uma postura moderna. Trata-se de uma pintura cenográfica, silenciosa e bela.”

Enock Sacramento


“Um caminho fácil é etiquetar a pintura de Menna Barreto como surrealista. É enfatizar o lado anedótico e o apelo ao non-sense que aparece em seu trabalho. Optar por esta abordagem, deixar-se levar pelo curioso, é deter-se na superfície e deixar de perceber outros aspectos que sua pintura oferece.

Sônia demonstra em sua pintura a familiaridade que tem com a História da Arte. Deixa transparecer o entusiasmo que teve enquanto estudante com a observação do rigor da composição de Léger, dos espaços solitários de De Chirico, das descrições dos objetos de Magritte e das situações insólitas de Max Ernest - é seguramente a identificação com aspectos existentes na obra desses dois últimos artistas que impede a observação de outras intenções em seu trabalho. Indica sua afinidade com os velhos mestres flamengos, retratando um mundo constituído de objetos bem conhecidos e transcrevendo com minúcia e precisão os materiais que os constituem. Cita com maestria e erudição os enganos óticos dos pintores holandeses dos séculos XVII e XVIII, da mesma forma que alude ao Kitsch das ilustrações de calendário.

Seu trabalho na aparência é anacrônico. Na verdade registra nosso tempo, a variedade e o hibridismo das imagens que nos cercam. Compara retratos de Rubens com as golas das fotos antigas de crianças-pierrôs. Quando apresenta uma paisagem veneziana, não apenas usa o estereótipo identificado com a cidade, remete também à pintura de Cannaletto , á beleza artificial do cartão postal e ao "clic" afetuoso mas impreciso do turista. Quando presenteia personagens de Frans Hals com câmaras fotográficas e cartas de baralho com chapéus, dialoga com páginas de revistas que apresentam eletrodomésticos na "Última Ceia" de Leonardo e filmes, onde, inadvertidamente, gladiadores portam relógios de pulso.

O clima de absurdo presente na pintura de Sônia, ganha outro caráter quando se presencia seu procedimento de trabalho. A artista reproduz com fidelidade um mundo real, construído por ela mesma, em pequenas estantes e gavetas. Seu universo é intimista e tem suas bases nos objetos e situações próximos a ela. Reúne recordações de infância, seus livros preferidos, pequenas lembranças de outros tempos. Nesses palcos em miniatura dispõe fotos, selos, objetos do cotidiano, sobrepõem recortes de revista, criando situações insólitas. Tira partido da escala, à maneira das casas de bonecas, onde uma caixa de fósforos serve de assento, a página de livro funciona como paisagem de fundo e o soldado que escapa para o primeiro plano é na verdade um modelo em chumbo. Situações fantásticas em que minúsculos personagens da Commedia Dell´Arte surgem entre livros gigantes e um observador encara da sacada o palácio de Chambord, não reproduzem devaneios, mas retratam com acuidade o modelo disposto à frente.

Da mesma forma não é a paisagem veneziana que se desmancha como um quebra-cabeça. É o próprio quebra-cabeça quase completo na bandeja ao lado do cavalete, que na tela passa a ocupar o lugar da paisagem.

Ao mesmo tempo em que reafirma a pintura enquanto representação da realidade, Sônia discute com humor o que é a realidade e como a sua imagem pode ser enganosa. Humor sutil e refinado, vestido com sobriedade, à maneira das imagens quase gêmeas que pedem ao leitor da página de variedades dos jornais que identifique as doze diferenças que as separam.”

Maria Izabel Ribeiro

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